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  • Jeanne Carvalho

Parto Dói? Como Encarar a Dor do Parto


Pensar em parto normal remete automaticamente a uma dor insuportável. Muitas mulheres, inclusive, desistem do parto por via baixa (parto normal) antes mesmo de entrarem em trabalho de parto.

Eu tive minha filha de parto normal e sem analgesia. Estava preparada para viver aquele momento, preparada para encarar a dor que viesse e disposta a pedir analgesia se fosse preciso. E foi a experiência mais incrível da minha vida.

Fui atleta de TaeKwonDo durante muito anos e conquistei títulos nacionais e internacionais. Posso dizer com propriedade,vivenciar o trabalho de parto e não ter desistido devido a dor me proporcionou um sentimento de conquista como se tivesse ganhado uma medalha de ouro em uma competição.

Não ter medo de viver a experiência é a grande questão.

Influências negativas de amigas e até mesmo de mães e médicos, que alarmam para o “sofrimento” pelo qual toda mulher grávida deve passar durante o parto costuma assustar as gestantes.  Alguns médicos até incentivam nascimentos por via alta (cesárea) com a intenção de fazer mais cirurgias em um período menor de tempo.

Não só por isso se estabeleceu uma cultura da cesariana, mas, em boa medida, a medicina também está associada à correria dos tempos modernos.

Até para nascer, temos que nascer depressa.

Nessa mentalidade, a dor do parto passou a ser compreendida somente no seu aspecto fisiológico, e acabaram esquecidas as dimensões psicológicas e espiritual que envolvem o procedimento. O parto é o momento da plenitude da maternidade.

A intensidade da dor varia de mulher para mulher, e muda também de acordo com o modo pelo qual a parturiente encara aquele momento. Acredite, a imagem que a mulher tem do parto pode aumentar ou reduzir o desconforto desde o momento das contrações, onde a dor física normalmente começa a se acentuar.

Muitas mães já encaram a dor do parto como parte do processo de geração de uma criança e justamente por isso conseguem viver o momento de maneira mais suave.

O problema é que existe o peso de inúmeros relatos negativos de parto, em uma cultura que muito lentamente resgata o parto normal domiciliar e mais lentamente introduz a ideia do parto humanizado nos serviços de saúde. Esse medo gera bloqueios que fazem a mulher recorrer à analgésicos e até mesmo à cesárea sem indicação médica.

A atitude em relação à dor afeta o modo de senti-la, podendo aumentar ou reduzir essa sensação. Ou seja, a dor psicológica pode aumentar a percepção de dor física.

A médica Ginecologista e  Obstetra Dra. Quésia Villamil teve 4 partos normais e escreveu esse texto sobre a dor do parto.

’Ontem, durante uma consulta, uma paciente me perguntou sobre minha experiência com a dor do parto. Logo pra mim... que sou péeeeessima pra dor... Se tem uma pessoa dolorosa nesse mundo sou eu! Nasci com todos os receptores de dor hiperativados e mais alguns!! E ainda por cima descobri ainda criança os tais analgésicos e enchi a bolsa deles... Resultado... Péssima tolerância e baixíssimo limiar... Mas vamos ao parto.... Ah.... o PARTO!!! Esta experiência D.E.L.I.C.I.O.S.A .... Mas... dolorosa’.... Como pode?!! Como vivê-la?? Como EU??? Sim... em mim doeu. Muuuuuito. Doeu no parto da Beks. Doeu no parto do Tedo. Doeu no parto do Paulo. Doeu no parto da Esther. E refletindo sobre essas dores, e sobre como eu passei por elas (QUATRO VEZES!!!) e como a gente passa por elas, e gosta ... e quer passar de novo... escrevi uma reflexão há um tempo atrás. Comparei a dor do parto com o desafio de vencer uma maratona. Porque, para mim, foi como me senti. . Tinha algo mais forte que me movia. Eu queria muito chegar ao fim. Eu tinha orgulho do que estava fazendo. Tinha dor, mas tinha muita endorfina, muita ocitocina. Tinha muito prazer envolvido!!


A maratona e o parto: Uma reflexão sobre o desvalor da dor do parto pela sociedade contemporânea.


No último domingo uma amiga publicou, na internet, um foto onde ela estava sentada no chão com o corpo todo molhado de suor, o cabelo completamente desarrumado e uma expressão de extremo sofrimento. Na legenda da foto, minha amiga falava da alegria que sentiu por ter conseguido terminar uma maratona: ela tinha conseguido, pela primeira vez, dar a volta na Lagoa da Pampulha. Descreveu que a prova foi muito difícil e que em vários momentos pensou em abandoná-la, mas reuniu toda sua força e coragem para que, indo além dos seus limites, cumprisse o desafio de finalizar a maratona. Ela não foi vencedora da maratona, mas conseguiu chegar ao fim dela.

Ao observar aquela foto, qualquer pessoa perceberia que ela teve um enorme prazer em tudo o que tinha feito. Após uma grande descarga de endorfina, minha amiga teve a felicidade de chegar ao fim da prova por mérito próprio. Abaixo das fotos, podiam-se ler os comentários dos amigos. Todos a cumprimentavam e a exaltavam por saber que ela havia finalizado a maratona, mesmo após tanta dor e sofrimento

Então eu me perguntei: Será que, se esta mesma amiga tivesse publicado uma foto depois de um intenso trabalho de parto seguido de um parto normal, e na legenda tivesse relatado que lutou para vencer, que sentiu dor, que sofreu, mas que estava muito feliz com o que havia conquistado… quais seriam os comentários dos amigos? Será que os comentários, abaixo da foto da minha amiga, suada, com ares de cansaço e cabelo desarrumado após um parto normal, seriam de exaltação pela conquista?

Ou será que os comentários seriam: “Credo, que coisa antiga! Por que ela não fez uma cesariana? Hoje em dia não precisa sofrer mais assim… A cesariana é muito segura Para quê ficar suada  no dia do nascimento do próprio filho? Para quê sentir dores e ter um filho assim como antigamente? ” Voltei-me para a foto e pensei, de novo, na minha amiga correndo em volta da lagoa da  Pampulha. Suada, cansada, sentindo dores… Então, novamente, me perguntei: Por que ela não pegou um táxi? Ou melhor: por que minha sábia amiga não alugou uma bicicleta e fez um tranquilo passeio pela orla da Lagoa da Pampulha em homenagem ao distinto arquiteto Oscar Niemeyer?”


Ou seja, tem algo maior que nos move.


Uma das melhores formas de decidir o que fazer quanto ao parto é buscar informação, estudar sobre todo o processo de trabalho de parto, contar com um bom ginecologista obstetra que possa embasar a decisão da parturiente e, se possível, procurar uma doula que auxilie a mulher com métodos naturais para o alívio da dor.


Pelo aplicativo Tumaas a gestante encontra essas informações e profissionais como obstetras e doulas para assistência do pré-natal,  parto e pós-parto.


Lembrem-se: quando se tem apoio as coisas ficam mais fáceis.

Conte-me como foi sua experiência de parto? Sentiu muita dor? O que fez para aliviar as dores durante o parto?




Fontes: Dra. Quésia Villamil; Novemeses.org

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